11/29/2005

Ó Gonçalo, queres que vá aí?

Estive hoje à conversa com um patrício que está cá em visita de trabalho. O senhor tinha decidido contactar-me desde que me ouviu na Antena1 em Agosto, na altura dos mundiais de atletismo. Não se esqueceu de mim, ao contrário do jovem e dinâmico jornalista que me prometeu a gravação da entrevista - e foi recordado por e-mail e sms. Se toda a gente me pôde ouvir, não poderá também o meu ego?

11/28/2005

Diferentes conceitos de "serviço ao cliente"

No outro dia fui finalmente ver o Sello. Às tantas, olha, vamos dar uma vista de olhos à Anttila. Avistámos uma caixinha-estante que ainda por cima marcavam como "promoção especial", e como até daria jeito em casa, levá-mo-la.
Mas ao pagar, em vez dos 10€ da promoção, queriam 22€.
Dissémos à menina que devia ter havido um engano, ela lá chamou a colega, a colega foi connosco à ala respectiva, olhou... e disse assim:
"Ah, mas isto não é referente a este produto [imediatamente abaixo do lembrete da promoção], mas a estoutro [um metro à esquerda, escondido atrás de outros produtos]"!
Disse-lhe eu "Ó menina, pronto, chame lá o encarregado aqui da loja", e ela "Bem, só indo lá acima, ao Atendimento ao Cliente...".
E fomos, que eu até nem tinha nada que fazer...
Depois de novamente explicar o sucedido, lá vem uma bamboleante figura feminina, cabelo escuro às madeixas loiras a condizer com as riscas da camisa, sorriso de plástico, dizendo a célebre frase "Então, o que é que se passa?". O que veio a seguir é, no mínimo, risível...

Bom, ficámos a saber, entre outras coisas, que na Anttila do Sello:
- Não têm tempo para verificar preços de artigos (olha lá!);
- Metem descrições de produtos que servem para artigos semelhante, para adiantar serviço (nem sequer um mísero "grande" ou "pequeno" para tirar dúvidas);
- Desconfiam dos clientes, dizendo abertamente que se os produtos estavam fora do sítio (no caso, todos), a culpa é com certeza de alguém que se diverte a desorganizar prateleiras...

Ou seja, uma gajo faz o trabalho por eles, e ainda é enxovalhado.
Com a breca, não é por 2 contos e 400 que o gato vai às filhoses, mas se está marcado é para cumprir! Ou não...

Sim, obviamente, acabei por comprar uma caixa-estante num outro estabelecimento!
Faz apenas parte da natureza humana!

Numa outra ocasião, no Alepa aqui do sítio, comprámos um boião de molho exótico. Ao chegar a casa, notámos que não estava hermeticamente fechado. O vácuo fora violado! Paciência!
Deixámos um e-correio a relatar o caso, mais por descargo de consciência. O mais certo era dizerem "tudo bem, mas como podemos saber se não foi você mesmo a abri-lo?", digo eu.
Nem por sombras me passaria pela cabeça que me enviariam, passada uma semana, um cartão brinde de valor bem superior ao do boião, com infindos agradecimentos por termos detectado um problema que passara despercebido no controlo de qualidade!
Assim, um tipo até tem gosto em ajudar! Isto sim, é serviço de qualidade!

11/27/2005

A minha paisagem

A fotografia poderá não ser muito recente mas acreditem que tenho de um lado uma bela mancha branca de neve ainda virgem, e do outro àrvores carregadas de neve que consolam a vista. Pena o sol estar já recolhido e não regressar mais neste dia.

Porque gosto de viver cá - 4

O adaptador do meu portátil deu finalmente o berro e contactei a Fujitsu-Siemens para o substituir. Depois de uma troca de e-mails aceitaram enviar-me um novo, que me foi entregue na morada que indiquei. O velho não o quiseram, nem ninguém mo pediu para verificar a mal funcionamento...

11/23/2005

Porque gosto de viver cá - 3


Não é que não goste de viver cá (no Puãrto!). Nada disso. Adoro. Adoro a pontualidade. Adoro a organização dos serviços, a eficácia das novas tecnologias, o ar límpido e as ruas impolutas. Adoro a segurança de viver cá, e de nunca ter o carro assaltado.
Vou ver o Rangers, mas apetecia-me um livro e um glögi...

11/19/2005

Firefox 1.0.7

Tão novinho e, aparentemente, já profundamente desactualizado...



Não sei se hei-de rir ou chorar. Idiotas.

Agradecendo

Os links do Terras Gélidas do Norte (na terra do bacalhau) e do Espreitador. Cá no bairro, foram localizadas ligações para este blog no Bass Clef, no fotoblog da Darkkissa, no Sob a Estrela do Norte e no yab-yum.
Avisem, por favor, se escapou alguma referência ao nosso espião.

11/16/2005

Porque gosto de viver cá -2

Vi subir o carteiro para o prédio há uns cinco minutos, e ainda não saiu. Lá fora,  à entrada do prédio, deixou o carrinho, com o correio que ainda não distribuiu. 
 
[teste, posta publicada  por e-mail]

11/12/2005

Porque gosto de viver cá -1

Ouvir o meu puto mais velho, cinco anos acabadinhos de cumprir, e que fala ainda o português e o finlandês, corrigir o inglês irrepreensível da mãe, "é blue, mãe". Tem ainda muito tempo para aprender que o sotaque sul-africano da educadora está longe de ser norma.

11/11/2005

In(B)eja


"...O fruto da cultivar derivada do Malus domestica Borkh. A maçã apresenta aroma intenso agradável, "sui generis" e polpa branca macia, sucosa, doce, com boas qualidades gustativas..."

Isto é ser mau, mas estou cheio de inveja. Afinal, hoje é o 11 de Novembro e eu não estou nem sequer perto de um quebra-gelos!

11/10/2005

Para que ninguém se perca

PERCURSO para o Restaurante. N.4
Amanhã no Restaurante Grécia em Katajanokka a partir das 20:30. A verde, percurso por eléctrico - número 4.

Vemo-nos lá?

11/07/2005

Falhas, muitas falhas

Nos últimos dias dediquei-me a visitar sites de marcas conhecidas dos consumidores portugueses à procura de informações e, apesar de aparentarem ser recentes (1 a 2 anos) e revelarem investimentos de milhares de euros a navegação desses sites deixa muito a desejar. Todos eles foram concebidos para o Internet Explorer e exibem deficiências graves quando visualisados noutros browsers, sendo o tom utilizado num dos sites quase insultuoso para quem não usa a última versão do IE (tema para outra posta). São lentos, as animações pesadas podem ser giras e agradar muito aos directores mas rapidamente esgotam a paciência da mais cândida dona de casa. Muitos misturam informação técnica com informação ao consumidor. Outros fazem pior, enchem o site com adjectivos superlativos ignorando a enumeração das características elementares dos seus produtos. A organização dos sites é um aspecto positivo. Todos ignoram o fenómeno google, e esperam que os consumidores encontrem os seus sites por advinhação ou pela leitura dos rótulos das embalagens: uma busca pelos produtos porta-bandeira raramente retorna a empresa entre os primeiros 10 resultados (1a página); e nalguns casos procurar pelo nome da empresa também se revela uma dor de cabeça.

Não me dei conta de muitos erros ou falhas graves mas encontrei uma discrepância grave entre o peso declarado na embalagem e o peso líquido (1 kg e 500 gramas, respectivamente). Enviei um e-mail à empresa a perguntar se de facto assim era, no mundo da publicidade actual pouca coisa seria capaz de me surpreender. A resposta que um responsável da empresa prontamente enviou é digna de ser reproduzida:

"Agradecemos o reparo e a informação da irregularidade, que denota que V. Exa. é um consumidor atento.
A Administração"

E não se detendo por aqui, não quis deixar de incluir o seu reparo neste post scriptum absolutamente surreal:
"( Com tanta página para navegar com tanta gaja para ver e andas-me a ver fichas técnicas dos nossos artigos, estas-me a falhar !!!!!!!!! )"

Adenda: O e-mail está reproduzido na íntegra em comentário-1. E juro pela minha saúde que não conheço o autor.

11/05/2005

Esse mesmo

Pedi a uma finlandesa que me traduzisse um texto em inglês que tinha editado da net. "Nem pensar!" "Porquê?", indaguei, não lhe conhecia semelhante má vontade. "O texto não quer dizer nada, é um arrozoado de defenições vagas sem significado algum. E para mais, salta à vista que o texto foi (mal) traduzido do português. Arranja outro". Foi o que eu fiz e ela traduziu.

Esta história não seria nada de especial se o texto original não viesse do site... do Instituto Camões.

[Actualização: O IC é aquele instituto "criado para a promoção da língua e cultura portuguesas no exterior". Pensando bem, textos vácuos e expressões redundantes ocupam um espaço importante na língua portuguesa; talvez o IC tenha aderido à nova moda TMN: «gostamos da nossa língua como ela é.»]

11/04/2005

Ainda Sobre o Suposto Neo-Colonialismo Literário Português no Brasil

A respeito -ainda- da brilhante resposta que o Embaixador de Portugal no Brasil dirigiu à revista CartaCapital aos preconceitos que certas "elites" Brasileiras têm a respeito de Portugal e da sua cultura, expressos por Miguel Sanches em "Brasil Recolonizado" edicão de 05 de outubro de 2005), aqui está o original do autor brasileiro para que o leitor possa julgar por si próprio:


"Na década de 80, José J. Veiga, apresentando o livro Memorial do Convento (Bertrand), de José Saramago, dizia que era preciso descobrir Portugal, percorrendo o caminho inverso de Pedro Álvares. Para o grande contista goiano, devíamos fazer deste romancista uma possessão ultramarina. E foi exatamente isso que acabou ocorrendo. Muito do renome do lusitano deve ser creditado à recepção que ele teve no Brasil. Desde Fernando Pessoa, descoberto pelos brasileiros nos anos 40, quando se deu o retorno da lírica convencional, nenhum escritor da terrinha tinha conseguido infiltrar-se de tal forma na corrente sangüínea da produção brasileira. Saramago propôs uma irmandade política entre Portugal e Brasil em seu romance Jangada de pedra (Cia das Letras), cuja metáfora é explícita: sua pátria desprende-se do continente europeu e vem aportar na costa brasileira. Era a defesa de uma adesão lusitana aos problemas sociais da América Latina, dentro da visão comunista do autor, que se queria longe do capitalismo da Europa rica, que se estabelece definitivamente com a implantação da moeda única – o Euro.

Foi a unificação simbólica dos dois países que projetou Saramago internacionalmente, rendendo-lhe o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, o mesmo negado a Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Mello Neto.

Mas a força portuguesa que chegou até nós não foi a da luta pelos excluídos sociais. Portugal, subitamente enriquecida pelo capital estrangeiro, passou a ser uma nova potência colonizadora e suas empresas se estabeleceram aqui modificando o perfil de alguns setores de nossa economia, como o de supermercados e de telefonia, áreas em que os irmãos lusitanos são muito fortes, a ponto de interferirem decisivamente em nosso jogo eleitoral.

Como todo poder econômico impõe sempre sua cultura, esta presença de Portugal trouxe para o país uma enchente de escritores. Estamos vivendo hoje uma transferência da Corte Literária Portuguesa. Para rivalizar com Saramago, apareceu seu opositor mais destacado – António Lobo Antunes, lido por nós como uma espécie de vanguarda barroca por livros como O esplendor de Portugal ou Fado alexandrino. Passamos a cultuar o poeta Herberto Helder, tido como novidade por sua imaginação surrealista. E os portugueses mais importantes foram ocupando lugar nos catálogos de nossas editoras. Helder Macedo teve seus romances editados pela Record. Sophia de Mello Breyner Andersen ganhou uma antologia de poemas pela Cia das Letras. E os escritores portugueses passaram a ser notícia.

A fase em que nos encontramos hoje é a da onipresença desses autores, até daqueles que não são muito visíveis em seu habitat. Como está na moda a literatura feita por mulheres, o grande fenômeno nesta área foi Inês Pedrosa, principalmente pelo romance Faz-me faltas (Planeta) – um título difícil para ouvidos brasileiros. Ela vem sendo consumida com devoção, apesar de seu estilo derramado, avesso à tradição de amaciamento da língua literária e da síntese empreendida no Brasil a partir do Modernismo. Menos palavroso, mas também convencional, Miguel de Sousa Tavares, autor de Equador (Nova Fronteira), tem ocupado um lugar de destaque no meio editorial. E a sensação do momento é o jovem poeta e ficcionista Gonçalo M. Tavares (O senhor Brecht, Casa da Palavra), apontado como grande revelação por seus livros igualmente abundantes em palavras e bossas juvenis. Ele é o mais prolífico autor de uma geração que está na casa dos 30.

Um detalhe que não pode ser esquecido é que alguns destes livros vêm com o patrocínio do Ministério da Cultura de Portugal, que assim subsidia a exportação de autores para o Brasil, consolidando uma presença cultural onde o país já tem uma forte participação econômica e política. Estamos de uma certa forma sofrendo um processo de recolonização, o que corrige o descaso com que tratamos os portugueses no último século, mas também cria algumas distorções, pois pode nos tirar de nosso caminho.

Para o professor e tradutor espanhol Basilio Losada, a grandeza da literatura brasileira vem da origem popular de nossos escritores ou de uma sensibilidade para recuperar um universo ainda rústico por meio de uma língua em mutação. Segundo ele, a grande literatura não sairá mais da Europa, onde ocorreu uma estandardização cultural, mas dos países em que a pluralidade gera conflitos no interior da língua e na percepção da realidade.

Esta tese é corretíssima, pois as grandes obras modernas se valem de uma língua vivenciada em situações cotidianas. A afirmação de Losada pode ser vista nos maiores escritores brasileiros do século XX: de um Mario de Andrade a um recente Ferreira Gullar, todos foram sensíveis à cultura popular, às experiências pessoais no interior de classes sociais ou de espaços periféricos. A força de nossa cultura está ligada a um uso da língua e do imaginário com raízes na experiência deformadora de nossa realidade presa a tempos antagônicos.

A experiência de temporalidade no Brasil não é homogênea, e foi esta percepção que deu origem a uma arte modernista que abusou dos descompassos históricos do país. Ainda hoje, temos comunidades vivendo na era primitiva, na colonial, embora o mundo contemporâneo seja cibernético. O convívio com estas disparidades é que enriquece nossa produção, nascida não só da mescla de raças, mas também de tempos.

Em “Horror ao ideal e outros comentários”, o poeta modernista Dante Milano defendeu a condição atípica de nossa língua: “o que é esplendor em outros idiomas, no nosso é artifício ridículo. A índole de nossa língua é a simplicidade, a pureza, a frescura, e uma pobreza humilde e casta [...]. Língua sublimemente popular, que não se adapta à fraseologia culta e artificial. A nossa língua tem raízes no chão e nos chama à realidade”. Foi esta realidade maior do que as instituições padronizadoras que deu grandeza universal aos grandes nomes de nossa literatura moderna, que se afastaram de um discurso lusitano pomposo e um tanto oco. Nós investimos na expressividade do idioma aberto à contribuição milionária de todos os erros (Oswald de Andrade), enquanto em Portugal a língua se fixou nas convenções cultas.

O autor que mais mexeu na língua, testando sua elasticidade expressional, Guimarães Rosa, explicava para o crítico alemão Günter Lorenz, em 1965: “Nosso português-brasileiro é uma língua mais rica, inclusive metafisicamente, que o Português falado na Europa. E tem a vantagem de que seu desenvolvimento ainda não se deteve; ainda não está saturado [...]. Como brasileiro, tenho uma escala de expressões mais vasta do que os portugueses, obrigados a pensar utilizando uma língua saturada”. Logo, contra o lugar-comum, o idioma é justamente o que nos separa de Portugal, pois se a matriz é a mesma, a índole é totalmente diversa.

Em meados dos anos 90, em uma Bienal do Livro de São Paulo, o crítico Eduardo Lourenço reclamava da influência negativa das telenovelas brasileiras nos hábitos lingüísticos lusos. O que se vive agora, no meio cultural brasileiro, é um processo inverso, são os autores portugueses influenciando a literatura brasileira, afastando-nos de um caminho criativo, próximo da língua falada, para colocar em destaque um código saturado.

Quem escreve este artigo organizou sua biblioteca em dois grandes setores – autores de língua portuguesa e autores estrangeiros. Para ele, os portugueses, moçambicanos angolanos e outros falantes da língua não são estrangeiros, mas cada um guarda individualidades. O papel de cada país é não se render a nenhuma força colonizadora. O moçambicano Albino Magaia tem um poema antológico: “Descolonizamos o Land-Rover”, destacando o uso solidário do veículo que representa a ideologia capitalista.

Foi exatamente isso que a tradição moderna de nossa literatura fez: descolonizamos o português. E este movimento deu nossa identidade, avessa, como afirmou Dante Milano, à fraseologia culta e artificial, marca de grande parte dos novos escritores portugueses."

11/02/2005

Com a minha sorte nunca se sabe

Já me ocorreu substituir o texto do link automático para os comentários que se segue aos meus postes (# comentários) por um "olkaa hyvää ja korjaa". Mas, provavelmente, também isso seria incorrecto.

11/01/2005

Lissabonillassa, 01.11.1755


Oli puoli kymmeneltä aamulla kun maanjäristys iski Lisabonissa ja muissakin Portugalissa, Espanjassa, marokossa ja italiassa. Parississa kirkkotiuut aikovat soittaa itselleen ja myös suomessa vedet hämmensivät. Voimakas järistys kantautui, ehkä, 8,75 Richterin asteikolla. 275 000 asuvien kaupunki menehti kolmas osa väestöstä.
Järistyksen jalkeen hyökyaalto sukelsi kaupunkia. Mahtavat aaltot ehtivat pohois-amerikasta norjaseen.
250 vuotas sitten oli ensimäinen moderni-aikojen suuronnettomuus.